pontuação final
Para Laura Riding
A morte, que parece um simples verso,
não exige métrica nem ensaio nem fôlego.
É a gramática que se aprende sem esforço
quando as mãos se cansam do mundo.
E, de todos os modos do saber,
a única ciência que não exige estudo.
Não há bibliotecas para o pó, nem teses
sobre o vazio de um corpo - o exercício
de desaprender dos nomes e das cores.
Morto ou vivo, o mais fácil.
Viver é um ofício de esforço:
o equilibrista tenso na corda do tempo,
a des(re)construção diária de um rosto.
A morte, que parece um simples verso
é o instante em que a pontuação final
se transforma em toda a frase escrita:
a facilidade de ser apenas o que se é.