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A mostrar mensagens de janeiro 25, 2026

idiotamente

Esse jovem, já me informei,  é um caso muito difícil - disse a voz com hálito de café queimado por detrás do biombo. Um biombo: há sempre um biombo quando a cobardia decide  tirar uma licenciatura. Fiquei a interrogar-me sobre a sábia natureza de quem prevê futuros como quem aposta em cavalos coxos sem abandonar a cadeira. Profetas de secretária xadrezistas de peças  invisíveis, exercício  de pequenos poderes. Joguinhos, claro. De adultos mal resolvidos que nunca aprenderam  a perder n em a calar. Já não gasto saliva. A saliva é cara e os idiotas são uma raça abundante. Concluí:  um idiota. é mais um idiota a rodar alegremente no carrossel da idiotice, bilhete vitalício, música alta para não ouvir o protesto do  neurónio vazio. E lá vai ele, mais uma voltinha, mão no acelerador, olhos fechados, convencido de que manda no mundo porque controla a velocidade do vazio. Eu? Desci do carrossel. viajo sem bilhete, não falo atr...

os lusíadas

Lucros cantam melhor que as musas ou o evangelho segundo o lucro.  no princípio não estavam as gentes. estava o lucro. e o lucro viu o nome os lusíadas e disse: isto é bom para vender. camões não escreveu um livro. escreveu um rótulo antes do tempo. para que um tipo de fato branco charuto apagado nos lábios e um sorriso de contabilista pegasse no título e o pendurasse numa fábrica de enchidos. o erro dele foi pensar em homens. o acerto deles foi pensar em números. as gentes dão problemas: faltam, reclamam, morrem. o lucro não. o lucro não falta, não morre, não pergunta de onde vem a carne. há uma linha de produção onde o verso entra inteiro e sai moído. não sobra metáfora, só enchido de porco. as musas? de avental manchado enquanto a carne passa pela máquina como a pátria passa pela história: triturada, temperada, embalada no vácuo. camões, querias cantar homens maiores que o medo deram-te homens menores que o lucro. o épico agora vem fati...