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A mostrar mensagens de junho 29, 2025

A Paragem

         havia um café chamado A Paragem             exactamente atrás de      uma paragem de   autocarro O vapor no vidro marcava o instante um lugar breve Estórias no ar difíceis                   de calar    Através do vidro o mundo  passava Nas mãos   um café arrefecia  lá fora a espera nunca parava  a pausa era o que ali habitava            O cheiro forte da rua nunca parava       uma prisão entre dois cais  uma paragem mais longa que    a vida onde o tempo      não buscava sinais Havia um café escuro vazio  perdido  atrás da paragem esquecido       pelos dias Os homens calados        bebiam rotinas    lá fora o autocarro cuspia ...

entre ruínas

      o casal posa entre ruínas    quietas. o menino distorce              o riso a careta de cal     &o tecto cai sobre     aristóteles que vive ainda     na sarjeta: (ou será outro)      pensa: - a quem      importa o génio  do axioma?      lá fora o mundo é um cão         sem dono aqui importa o fogo inato:    a vida inteira numa risada    feliz o filho &  claro o caos

Amanhã

      o telefone grita ecoa no vazio  o cigarro queima a vida      em mortalhas se   amanhã viesse       algum sentido faria ontem devora o tempo tudo engole           a garrafa vazia ri   sem perguntas  a parede escuta         o silêncio do riso         hoje é ontem   amanhã é nunca o telefone atende o nada:  espera sentado         sem pressa se ontem fosse hoje &o telefone tocasse              amanhã