Os pequeninos
A guerra dos pequeninos não é travada com espadas, mas com joelhos dobrados. Combatem de cabeça baixa, e chamam virtude àquilo que nasceu do medo. “Somos poucos, somos fracos” - e fazem disso um altar. A guerra dos pequeninos é a vitória do ressentimento vestido a rigor de moral. Cada um vigia o outro, para impedir as alturas. Quem se levanta é acusado de soberba, quem dança é suspeito. Preferem a igualdade pois não suportam a diferença, preferem a força bruta pois não suportam a justiça, preferem a morte pois desaprenderam o que é amar estar vivo. Mas atenção que esses a quem sempre chamaram pequeninos são também um campo de batalha. Dentro de cada pequenino há uma centelha divina que ainda não foi domesticada, um impulso que pergunta - e se eu fosse algo mais? Toda guerra termina quando alguém ousa perder gosto de vencer. Quando alguém diz "basta" a tudo o que mente para ser o que não é, a ilusão perdida, de que o mundo glorifica os ajo...