aplauso
POETA, não terás o aplauso popular! O louvor do êxtase passará a ruído momentâneo; O julgamento do tolo ouvirás, e o riso da fria multidão - Permanece calmo, firme, e — sóbrio! Alexander Pushkin, Poems , 1817 O poeta caminha lentamente até a boca do cena. Na mão direita, empunha um estilete como se fosse uma arma branca pronta a atacar. E inicia o seu monólogo: Então, esperavas o quê? Flores? O estrondo de mil mãos batendo em uníssono até que os teus ouvidos sangrassem de glória? Esquece. Não haverá o aplauso popular. Entende de uma vez: a multidão é um monstro de mil cabeças que adora ser alimentado, mas nunca se sacia de ti. O que tu chamas de louvor, de êxtase... ah, isso é somente uma nuvem de fumaça. É o ruído momentâneo de uma engrenagem que te tritura e te cospe em seguida. Escuta... consegues ouvir? É o riso deles. Esse frio que corta a pele. O julgamento do tolo é uma sentença proferida antes mesmo de o teu verso tocar o chão. Riem porque não compreendem o peso d...