Ode à Desobediência
Para Álvaro de Campos
À vontade de ser tudo e o nada que me dão,
Às ordens vindas de baixo, de cima, de lado,
Respondo com o estalido seco da minha própria negação!
Desobediência é coerência, ouvi dizer,
E que frase tão certa para quem tem o universo a arder no peito
E um relógio de pulso a marcar as horas de um tédio infinito.
Sinto-me um motor gripado no meio da multidão ordenada!
Todos caminham para o emprego, para a ceia, para a morte previsível,
E eu, que sou um amontoado de sensações contraditórias,
Desobedeço à linha recta porque o meu destino é o desvio!
Sim, sou coerente com a minha própria incoerência,
Com esta inquietação que é a única coisa real que possuo.
Mandam-me ser útil? Eu sou inútil como uma estrela ao meio-dia!
Mandam-me ser prático? Eu perco-me a contar as manchas de óleo no Tejo!
Toda a gente aceita o contrato, a submissão, a etiqueta,
Mas eu, Álvaro de Campos, engenheiro de nenhures,
Saúdo a revolta de não querer ser nada do que me é imposto.
Ah, a beleza de dizer NÃO quando todos dizem "Sim, Senhor"!
É a única forma de não me fragmentar em mil pedaços de burocracia.
Se o mundo é uma máquina que exige a minha peça,
Eu prefiro ser o grão de areia que faz o sistema ranger,
Fiel somente à minha febre,
Fiel à minha lucidez desesperada,
Desobedecendo a tudo para me pertencer.
Às ordens vindas de baixo, de cima, de lado,
Respondo com o estalido seco da minha própria negação!
Desobediência é coerência, ouvi dizer,
E que frase tão certa para quem tem o universo a arder no peito
E um relógio de pulso a marcar as horas de um tédio infinito.
Sinto-me um motor gripado no meio da multidão ordenada!
Todos caminham para o emprego, para a ceia, para a morte previsível,
E eu, que sou um amontoado de sensações contraditórias,
Desobedeço à linha recta porque o meu destino é o desvio!
Sim, sou coerente com a minha própria incoerência,
Com esta inquietação que é a única coisa real que possuo.
Mandam-me ser útil? Eu sou inútil como uma estrela ao meio-dia!
Mandam-me ser prático? Eu perco-me a contar as manchas de óleo no Tejo!
Toda a gente aceita o contrato, a submissão, a etiqueta,
Mas eu, Álvaro de Campos, engenheiro de nenhures,
Saúdo a revolta de não querer ser nada do que me é imposto.
Ah, a beleza de dizer NÃO quando todos dizem "Sim, Senhor"!
É a única forma de não me fragmentar em mil pedaços de burocracia.
Se o mundo é uma máquina que exige a minha peça,
Eu prefiro ser o grão de areia que faz o sistema ranger,
Fiel somente à minha febre,
Fiel à minha lucidez desesperada,
Desobedecendo a tudo para me pertencer.