corpos escritos
Fazer amor em poesia
não é deixar a marca de rimas num lençol branco ou procurar a metáfora perfeita para o teu flanco.
É um acto de desobediência contra o silêncio.
É tirar a roupa das palavras
até que elas fiquem nuas, trémulas,
sem o casaco pesado dos dicionários
ou a gravata apertada da sintaxe.
É ler a tua pele como se fosse um manuscrito
descoberto numa cave cheirando a café, jazz
É tirar a roupa das palavras
até que elas fiquem nuas, trémulas,
sem o casaco pesado dos dicionários
ou a gravata apertada da sintaxe.
É ler a tua pele como se fosse um manuscrito
descoberto numa cave cheirando a café, jazz
e revolução onde cada curva do teu corpo é
um verso que o censor se esqueceu de apagar.
Não precisamos de gramática para este momento.
A nossa pontuação é o fôlego curto:
um ponto final no umbigo,
reticências que descem pelas vértebras,
um ponto de exclamação no encontro das bocas.
Estamos a imprimir uma edição clandestina
de nós próprios,
sem editores, sem revisores, sem medo
de que o mundo lá fora
não entenda a nossa métrica selvagem.
Porque, no fim, meu amor,
a melhor poesia não se lê com os olhos:
escreve-se com o peso do corpo.
um verso que o censor se esqueceu de apagar.
Não precisamos de gramática para este momento.
A nossa pontuação é o fôlego curto:
um ponto final no umbigo,
reticências que descem pelas vértebras,
um ponto de exclamação no encontro das bocas.
Estamos a imprimir uma edição clandestina
de nós próprios,
sem editores, sem revisores, sem medo
de que o mundo lá fora
não entenda a nossa métrica selvagem.
Porque, no fim, meu amor,
a melhor poesia não se lê com os olhos:
escreve-se com o peso do corpo.