susto

Aos amantes que esperam como quem mexe o café 
com uma estrela anã que tarda em morrer.


digo baixinho
que as janelas vedadas
têm orifícios do tamanho do nosso medo
e por eles passa
um cavalo feito de horas

perdemos nomes ganhamos ferrugem
e um relógio ri-se com dentes de ouro

há feitiços falidos - sim
pendurados como casacos cansados
promessas com letras a coxear
pelo passeio serpentino da língua

e a solidão veste um fato largo
o desejo fuma à porta do cinema
à porta selada de jogo clandestino

a sorte penteia o cabelo ao contrário
onde há uma bela ginástica de ossos

não procurem a noite como quem procura
um interruptor a noite é um gato eriçado
um erro de ortografia um bolso sem fundo

fiquemos com a lição de
aprender a cair para cima

a escrever o mundo
sem levantar o lápis
do susto

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