a regra d'ouro

Primeiro, declara-se a guerra.
Não em voz alta -
em reuniões discretas,
com café quente e gráficos claros.
Depois, explica-se ao povo
que é pelo bem comum.
O bem, claro, já está definido
por investidores & accionistas.
Os pobres oferecem os corpos,
os ricos oferecem opiniões.
Uns perdem pernas,
outros ganham contratos.
A bomba cai democraticamente,
mas a conta sobe em exclusivo.
Há quem morra anónimo,
há quem assine em dourado.
Chamam “sacrifício” ao
que jamais sacrificariam.
Chamam "defesa" ou
"ataque preventivo"
 quando iniciam ofensiva.
Chamam “inevitável” 
a tudo o que é lucrativo.
Quando tudo arde,
aparecem salvadores
com capacete novo
e facturas antigas.
Reconstrói-se o país,
não a justiça.
Enterram-se os mortos,
não os responsáveis.
E no fim,
se alguém perguntar “porquê?”,
responde-se com seriedade:
- porque funcionou.

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