a medida exacta
To do the useful thing, to say the courageous thing, to contemplate the beautiful thing: that is enough for one man’s life.
T. S. Eliot, The Use of Poetry and the Use of Criticism, 1933.
O presente e o passado talvez residam somente no calo da mão que cultiva. Não no gesto heróico das estátuas que descansam na praça, mas antes no fazer a coisa útil: o conserto do muro, a distribuição do pão, a precisão do artesão que ignora o aplauso das galerias, como se a utilidade fosse uma forma de oração sem palavras.
Depois, há o peso do ar nos pulmões, necessidade de dizer a coisa corajosa. Não o grito do demagogo ou a fúria do mercado, mas a palavra que corta a névoa, dita no momento em que o silêncio seria mais confortável. Uma verdade seca, como um osso ao sol, que não se dobra à conveniência das sombras.
E, no fim do corredor pleno de ecos: contemplar a coisa bela. Não a beleza que distrai, mas a que detém o brilho da luz sobre o vidro quebrado, o padrão oculto no movimento das águas, a rosa que floresce no jardim da memória. Olhar, até que o observador e o observado sejam uma única quietude e uma única presença.
O que sobra é o barulho de folhas secas sob rodas de ferro, o deserto que cresce. Só isto - fazer, dizer, ver - é o suficiente para preencher o vazio entre o nascimento e a cinza. É a medida exacta da estatura de um homem.