a fala

A cada forma natural, rocha, fruto ou flor,
Até mesmo às pedras soltas que cobrem a estrada,
Dei uma vida moral: vi-as sentir,
Ou liguei-as a algum sentimento: o grande todo
Repousava numa alma que se alentava, e tudo
Que contemplava respirava um sentido interior.
William  Wordsworth, The Prelude, 1850, Book III, 130-135



Não foi por capricho,
mas porque o silêncio da terra
parecia demasiado cheio
para ser silêncio.

Vi as pedras sentir
a lassidão da montanha,
como se ainda recordassem
o peso das eras
e a lenta queda do tempo.

Nos frutos percebi
uma paciência redonda,
uma espera madura
pelo instante exacto da queda.

E as flores, frágeis pensamentos
recém-nascidos, respiravam
um segredo que o vento repetia.

Assim liguei cada coisa
a um fio de sentimento -
não humano, talvez,
mas irmão do que somos.

E tudo o que observo - a poeira,
o musgo, o caminho irregular -
respira comigo uma fala oculta.

Como se o mundo inteiro
falasse baixo
para quem aprende
a escutar.

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