novíssimo
o novíssimo ano bate fu-
rioso a toda porta errada
um estrangeiro no metro
esse que ninguém notou
mas lá está ele: persiste
nas promessas vulgares
as cruas mãos gretadas
esse que ninguém notou
mas lá está ele: persiste
nas promessas vulgares
as cruas mãos gretadas
reinvidicando:
EXISTO!
a vida encara-o de viés
como sopro de cigarro
sem nunca erguer
sem nunca erguer
a cabeça
anos?
a vida não usa dedos
para fazer con-
tas (usa cicatrizes) a
a vida não saber
que dia é
hoje
anos?
a vida não usa dedos
para fazer con-
tas (usa cicatrizes) a
a vida não saber
que dia é
hoje
sabe quando dói sa-
be quando goza
&falta dinheiro qua-
do sobra
silêncio
todos tentam medi-la
- calendários brancos
tinta & giz de plástico
a vida escapa à aritmética
aprendeu cedo... a brincar
a fórmula exacta de peder
todos tentam medi-la
- calendários brancos
tinta & giz de plástico
a vida escapa à aritmética
aprendeu cedo... a brincar
a fórmula exacta de peder
a vida simples
mente
acontece
não aceita mapas não
não aceita mapas não
aponta chegadas nun-
ca pergunta
promete
nada
basta-lhe
esse instante torto
esse corpo em uso
esse
basta-lhe
esse instante torto
esse corpo em uso
esse
agora
sem testemunhas
sem testemunhas
não quer parceria
foge de discursos
a vida não celebra
respira
a vida não celebra
respira