my friend
Diz-me, my friend, quem
não se rende à tua poesia?
Digo-te, my friend:
não se rende quem ainda escuta.
a poesia não aceita rendições -
apenas pactos secretos
não se rende
quem aprende a respirar
dentro da palavra
não se rende
quem cai
e transforma a queda
em sílaba
há quem entregue as armas
há quem entregue o tempo
mas a poesia
fica
fica como um animal ferido
que recusa morrer
fica como uma luz mínima
num quarto sem janelas
tentam domá-la
com prémios
com silêncios
com a pressa do mundo
ela ri
- curta, irónica, imortal -
não se rende
porque não luta
não se rende
porque não obedece
muda de forma
entra pela margem
infiltra-se na frase errada
na vida mal vivida
no coração cansado
quando tudo pede desistir
aí sussurra:
fica
e isso basta
para que alguém
- tu, talvez -
continues
não vencedor
não salvo
mas vivo
atento
enquanto houver
um verso a resistir
ninguém se rende
Digo-te, my friend:
não se rende quem ainda escuta.
a poesia não aceita rendições -
apenas pactos secretos
não se rende
quem aprende a respirar
dentro da palavra
não se rende
quem cai
e transforma a queda
em sílaba
há quem entregue as armas
há quem entregue o tempo
mas a poesia
fica
fica como um animal ferido
que recusa morrer
fica como uma luz mínima
num quarto sem janelas
tentam domá-la
com prémios
com silêncios
com a pressa do mundo
ela ri
- curta, irónica, imortal -
não se rende
porque não luta
não se rende
porque não obedece
muda de forma
entra pela margem
infiltra-se na frase errada
na vida mal vivida
no coração cansado
quando tudo pede desistir
aí sussurra:
fica
e isso basta
para que alguém
- tu, talvez -
continues
não vencedor
não salvo
mas vivo
atento
enquanto houver
um verso a resistir
ninguém se rende