O Visitante

Um traço. Depois outro. 
Entre eles,
                      o intervalo
onde tudo começa. 

No fundo da noite, 
uma perfil
            sem nome 
resolve-se dentro
de mim. 

Não fala. Não pede. 
Move apenas ar. 

O círculo incompleto 
acende-se no escuro
como se aguardasse 
um gesto inpensável.

De sua margem ergue
     um sopro - sem luz
ou sombra, 
a vibração
               não se deixa

  ver. O silêncio faz
o espaço, 
a própria ausência 
sem sinal.  

 Quando desperto
nada levo comigo 
além de um 
                vestígio: 

esse ponto imóvel,
o quarto a respirar.

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