O Visitante
Um traço. Depois outro. Entre eles, o intervalo onde tudo começa. No fundo da noite, uma perfil sem nome resolve-se dentro de mim. Não fala. Não pede. Move apenas ar. O círculo incompleto acende-se no escuro como se aguardasse um gesto inpensável. De sua margem ergue um sopro - sem luz ou sombra, a vibração não se deixa ver. O silêncio faz o espaço, a própria ausência sem sinal. Quando desperto nada levo comigo além de um vestígio: esse ponto imóvel, o quarto a respirar.