idiotamente
Esse jovem, já me informei,
é um caso muito difícil
- disse a voz
com hálito de café queimado
por detrás do biombo.
Um biombo:
há sempre um biombo
quando a cobardia decide
tirar uma licenciatura.
Fiquei a interrogar-me
sobre a sábia natureza
de quem prevê futuros
como quem aposta em
cavalos coxos sem
abandonar a cadeira.
Profetas de secretária
xadrezistas de peças
- disse a voz
com hálito de café queimado
por detrás do biombo.
Um biombo:
há sempre um biombo
quando a cobardia decide
tirar uma licenciatura.
Fiquei a interrogar-me
sobre a sábia natureza
de quem prevê futuros
como quem aposta em
cavalos coxos sem
abandonar a cadeira.
Profetas de secretária
xadrezistas de peças
invisíveis, exercício
de pequenos poderes.
Joguinhos, claro.
De adultos mal resolvidos
que nunca aprenderam
de pequenos poderes.
Joguinhos, claro.
De adultos mal resolvidos
que nunca aprenderam
a perder nem a calar.
Já não gasto saliva.
A saliva é cara
e os idiotas são
uma raça abundante.
Concluí: um idiota.
é mais um idiota
a rodar alegremente
no carrossel da idiotice,
bilhete vitalício,
música alta para
Já não gasto saliva.
A saliva é cara
e os idiotas são
uma raça abundante.
Concluí: um idiota.
é mais um idiota
a rodar alegremente
no carrossel da idiotice,
bilhete vitalício,
música alta para
não ouvir o protesto
do neurónio vazio.
E lá vai ele,
mais uma voltinha,
mão no acelerador,
olhos fechados,
convencido de que manda
no mundo porque controla
a velocidade do vazio.
Eu? Desci do carrossel.
viajo sem bilhete,
não falo atrás de
biombos.
Prefiro andar a pé.
Os idiota ficam.
Babam. Mandam.
Idiotas não caem -
são promovidos.
E enquanto falam de futuro,
o presente leva uma murraça
e aprende a calar, obedecer.
Eles ficam. Sempre ficam.
A aplaudir-se uns aos outros
enquanto o mundo apodrece
do neurónio vazio.
E lá vai ele,
mais uma voltinha,
mão no acelerador,
olhos fechados,
convencido de que manda
no mundo porque controla
a velocidade do vazio.
Eu? Desci do carrossel.
viajo sem bilhete,
não falo atrás de
biombos.
Prefiro andar a pé.
Os idiota ficam.
Babam. Mandam.
Idiotas não caem -
são promovidos.
E enquanto falam de futuro,
o presente leva uma murraça
e aprende a calar, obedecer.
Eles ficam. Sempre ficam.
A aplaudir-se uns aos outros
enquanto o mundo apodrece
porque lhes damos microfones,
biombos, a pública ilusão de que
andar círculo é seta de salvação.
E no fim, quando tudo se
acabar os idiotas ainda
perguntarão idiotamente
quem desligou a música.
perguntarão idiotamente
quem desligou a música.
Lâmina sem anestesia
cinza, dentes rangidos,
copo meio vazio, troca
de veneno, aqui estarei,
silêncio de corte & faca
como quem diz: - agora
improvisem-se sem voz.