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A mostrar mensagens de 2025

my friend

Diz-me, my friend, quem não se rende à tua poesia? Digo-te, my friend : não se rende quem ainda escuta. a poesia não aceita rendições - apenas pactos secretos não se rende quem aprende a respirar dentro da palavra não se rende quem cai e transforma a queda em sílaba há quem entregue as armas há quem entregue o tempo mas a poesia fica fica como um animal ferido que recusa morrer fica como uma luz mínima num quarto sem janelas tentam domá-la com prémios com silêncios com a pressa do mundo ela ri - curta, irónica, imortal - não se rende porque não luta não se rende porque não obedece muda de forma entra pela margem infiltra-se na frase errada na vida mal vivida no coração cansado quando tudo pede desistir aí sussurra: fica e isso basta para que alguém - tu, talvez - continues não vencedor não salvo mas vivo atento enquanto houver um verso a resistir ninguém se rende

calendários

depois de amanhã serei outro - dizem os calendários com a boca cheia de datas - mas eu não quero ser outro há uma fadiga antiga em mudar de pele como quem troca de camisa para agradar ao espelho não sei quem sou e isso devia bastar como um passaporte em branco ou uma casa sem mobília onde o eco ainda aprende o meu nome quero ser tudo menos outro quero ser a hesitação antes do passo o erro que persiste a frase interrompida por falta de ar não por falta de sentido: a árvore que cresce torta porque a luz também erra o rio não alcança o mar e ainda inventa margens outro é sempre a versão corrigida a nota de rodapé passado que fui um futuro com aspas prefiro ficar no intervalo sem rosto onde posso falhar com elegância e existir sem tradução literal depois de amanhã só depois que o mundo mude se quiser fico a aprender aqui a nunca me substituir a ser tudo como fosse outra versão de nada 

Os pequeninos

A guerra dos pequeninos não é travada com espadas, mas com joelhos dobrados. Combatem de cabeça baixa, e chamam virtude àquilo que nasceu do medo. “Somos poucos, somos fracos” - e fazem disso um altar. A guerra dos pequeninos é a vitória do ressentimento vestido a rigor de moral. Cada um vigia o outro, para impedir as alturas. Quem se levanta é acusado de soberba, quem dança é suspeito. Preferem a igualdade pois não suportam a diferença, preferem a força bruta pois não suportam a justiça, preferem a morte pois desaprenderam o que é amar estar vivo. Mas atenção que esses a quem sempre chamaram pequeninos são também  um campo de batalha. Dentro de cada pequenino há uma centelha divina que ainda não foi domesticada, um impulso que pergunta - e se eu fosse algo mais?  Toda guerra termina quando alguém ousa perder gosto de vencer. Quando alguém diz "basta" a tudo o que mente para ser o que não é, a ilusão  perdida, de que o mundo glorifica  os ajo...

946 Poesia

Entre Marte e Júpiter há uma sílaba de pedra a repetir o seu nome em silêncio orbital. Não cai. Não foge. Demora. Quarenta quilómetros de metáfora a girar devagar - tão devagar que o tempo precisa de se sentar para o ver passar. Descoberto por um homem que olhava o céu como quem procura rimas perdidas, o asteroide aceitou seu nome, sem protestar. A sua órbita é elíptica - como o pensamento humano - aproxima-se, afasta-se, regressa sem nunca ser igual. Inclina-se apenas um grau e qualquer coisa, porque até os asteroides sabem que o excesso estraga o verso. Roda em cento e oito horas, uma rotação lenta como o poema que não quer acabar antes de ser maior que um nome. Não tem voz, escreve com gravidade. Não tem mãos, segura o Sol à distância exacta do sentido. Enquanto a Terra se apressa, a poesia insiste: há beleza no intervalo, há arte na repetição, há futuro em quem demora. E assim segue, entre destroços e estrelas, lembrando - com humor mineral e p...

animal eléctrico

cada dia se cala um punho de luz a queimar dentro silêncio não é fim animal eléctrico  a respirar fundo sangue das coisas corpos escritos o centro do nervo a trabalhar dentro cada dia se cumpre lavaredas de horas um rosto exaltado  a língua em brasa  os sons nascem antes da boca os gestos ardem antes do sentido (o dia irrompe  em sombra - ambrósia  da  matéria viva) cada dia  dentro do poema

in limine

teu olhar habita (fundo) o universo espelho sem medida (respira) a curva invisível do número in- finito seta que dispara sem condição (como sem saber  porquê) o piano move-se entre sombras - lenta combustão do teu peito onde  o enxofre aprende  a ser   ar ( respira o som) respira  (o som  em ti)

ciborgue

após a operação às cataratas o médico disse: as lentes são próteses d'alma transparências forjadas pelo forno da máquina na carne - vejo agora tudo                                &além tudo  (objectos deixaram de ser objectos) a  coisa em si  sumiu do léxico              da escola                    caminho ainda por entre                                          esses sinais entre falhas do sistema onde todas as linguagens falam entre si - porquê a palavra sonora quando o corpo se funde com um chip? olho uma cadeira... penso em voar.                (cadeiras deixaram de ser cadeiras     ...

a distância mais curta

Anatomias A distância mais curta entre nós é uma ferida limpa. Um corte que não sangra, mas pulsa, como um animal preso no escuro. Falo contigo como quem tenta não acordar um morto ou provocar um espelho. A tua ausência ganhou densidade: senta-te ao meu lado, respira por mim, toca os meus ombros com dedos de ar. Escrevo como quem tenta manter a própria pele: letra por letra, riscando a página como se fosse chão. Cada palavra, um fósforo. O modo simples de ver no escuro. Mulher com fósforos Não sou santa, nem sombra. Sou a mulher que segura fósforos num quarto onde tudo arde devagar. Aprendi a esperar sem tempo. Aprendi a acender uma luz sem luz. Os homens olham e pensam: ela vai incendiar tudo, mas já o fiz. Queimei nomes, camas, as palavras sonoras de dor. E não sobrou dor. Apenas o gosto a fumo na língua, e essa voz que diz: escreve, antes que tudo volte a silenciar. E então escrevo com fósforos entre os dedos, a cabeça acesa, como quem sopra vida na própria cinza. Relicário Há coisa...

a luz depois

Para P. J. C. M. em memória de tudo o que muda. a luz regressou                          depois sem peso         quando  os olhos rasgaram  por  mãos que                     não conheci era um       mundo diverso dos nomes      que  usava rosto cadeira  rua          árvore  sombras em água & o fundo não se movia nada mais era coisa                              nada mais era    ideia só  vibração  som antes      do  som  algo que  respondia     não com palavras mas com         o corpo  matéria luz carne       tudo isso & ainda o espaço  que expande negro    ...

mundos paralelos

m.u.n.d.o.s. (paralelos // = a salvação) se_           f.a.r.t.o.s_ de (um)             P U F! (saltamos) 1⁰     2⁰         3⁰   (#dos olhos // #do medo // #do tempo que foge) p/ o u t r o         & o.ut.r.o             &&& (.. ) ∞→ :: ao n/gosto :: escolham → [porta] [realidade] [criação] o único            senão                     será o céu? (mas esse ri-se &diz: -  Nunca fui limite. ) F    Ô        L             E               G                  O                    ...

Homem-Megera

(luz baixa. cadeira no centro.  um  homem entra, senta-se devagar. respira. olha para o público. ) Sabem o que é ser bicho com cara de homem? Não? Pois eu sei. Chamam-me megera, mas só porque mordo antes de ser mordido. Porque não peço desculpa por existir. Ou porque existo de um modo que incomoda. Muito. (pausa. levanta-se, anda em círculos.) Fui aprendendo, sabem? Com os anos. Com os gritos. Com os silêncios. Aprendi que mostrar sentimento é convite ao tiro. Que chorar é abrir ferida numa sala cheia de predadores. Que amar… amar é um jogo com regra escondida. E perdi cedo. Muito cedo. (olha para o chão. depois ergue a cabeça. fala  com dureza .) Então vesti espinhos. Armei os olhos. Endureci as mãos. Fiz da voz um casaco grosso. Agora dizem: Tu és bruto . Tu és frio . Tu és o problema . Mas não estavam lá, pois não? Quando me ensinaram que um homem não treme. Um homem não quebra. Um homem engole. Um homem cala. Um homem manda. E ...

país rectângulo

sou um pigmeu               país rectângulo, desenhado a régua cega num teste de geografia errada a culpa? do miúdo, claro. ou da professora - quem sabe? que me ensinou a ser nação com letra minúscula sílaba torta, alfabeto impróprio, versão pirateada do latim, subtitulada em ressentimento sou um país em nota de rodapé vulgar nos gestos, épico nos jantares de tascas herdei memórias como quem herda louça lascada  com orgulho! diz o povo entre duas invejas e três novelas sou mapa de feriados, onde os miúdos pintam com lápis de cera e depois atiram o desenho pela janela quando chega o teste de matemática tenho hinos que ninguém sabe de cor, e estátuas que ninguém visita sou gloriosamente pequeno, especialista em saudade e medalha de ouro no campeonato europeu, profissional de desculpas históricas mas ainda assim, com um peito inchado e mesmo com ar reciclado, digo: Aqui ninguém manda! senão Bruxelas, o FMI & os merc...

cegueira

(luz baixa. um único foco. silêncio tenso. a voz entra crua, lenta, como quem mastiga palavras com os dentes partidos) VOZ (seca, directa) P enso que não cegámos . Não. (pausa) cegar exige uma tremenda disciplina. isto é pior. isto é - ver demais. ver até cegar por dentro. (luz estala. ruído de fundo. fragmentos de imagens proje c tadas: rostos, fogo, mar) VOZ (mais urgente) vemos. vemos tudo. vemos tanto que nada vemos. pupilas dilatadas de tédio. excesso. (batida seca. s ilêncio) VOZ (ritmada, crítica): passa um homem a arder. - deslizas o dedo. passa um corpo no mar. - clicas no écrã o ícon de um coração. passa a fome. o ódio. a guerra. as crianças decapitadas. um cão de pernas partidas. - partilhas. mas não vês. (a luz pisca. um eco atravessa a sala : "não vês, não vês, não vês…") VOZ (mais baixa, como um sussurro frio) vemos como quem respira fumo e chamamos-lhe ar. vemos com olhos intactos e corações exaustos. a retina torn...

hora de ponta

1.                 a multidão acolhe o céu aberto  contra o vidro    o tempo elástico encolhe     o silêncio & empurra       a pressa do mundo o rio não afaga           as suas margens 2.               a vida é o metro                  círculos lentos estações intensas    viagens sonoras          em pressa o corpo se apaga              no chão quebra o invisível             & assim cala a  meio a vida  3.         hora de ponta o sangue nos     ossos encovados os olhos        nos ombros  a língua pastosa a recitar horas     o tempo a mastigar sobras      olhare...

quimeras na bagagem

Para A. S. 1. o amigo partiste em silêncio como quem respeita  o peso das palavras      não houve adeus somente a ausência   tomando de um gole  seco inteira a casa  colecionavas quimeras não como quem  foge, mas como quem insiste   guardavas sonhos em cadernos gastos     papéis soltos menores do que silêncio     caixas em madeira cheirando a cinzas falavas de coisas desconhecidas para o mundo:       um peixe que voava reflectindo a lua     uma estrada que levava até a infância     um amor que não cobrava  passagem      enquanto todos reclamavam provas -      trabalhavas o malabarismo  do encanto:      curvas sem tempo pequenos gestos   agora que partiste - repouso  inquietas     as quimeras presas em meus bolsos não sei o que fazer com elas -  algumas    ainda serpenteiam pelas veias  out...

quanto baste

A deram-me um nome raso &tanso ficaram por aí. E o preço foi claro ter esses: - os trabalhos & os dias contados por o que estava agora a ocorrer. Crescer era esgravatar contra o tijolo gastar unha afiada B o nome não podia exceder pesos nunca podia ter salvo o homo sa- piens de arrotar cinza, o silêncio do génio na garrafa &ninharices C caminho ainda com nome & raiz &só as poeiradas  me conhecem causam coceira chata no sapato  &roteiros tão leves quanto baste

bric-à-brac

dizias - o bar estava aberto sem. vergonhas  enquanto os sábios & rotinas despertavam  lá fora & dentro ias emborcando pro.fecias promessas com um sabor amargo a vidros   amor era a mulher rindo distante o vestido barato tecendo o velho corpo de hábitos & hálitos e eu - quem diria - um cão vadio de aço &febre a latir a nomes sem calendário o som morria entre copos partidos a dança recolhia cacarias para quaisquer sucateiros embora sem conserto nem despedida. onde o sangue teimava em .ser. mel que se bebia o amor era a anedota do dia. dessas de que ninguém se lembra. & ri. sempre: - Vai rindo a dor é menor: - Quando o álcool bate forte nos olhos era assim quando. sabia. &dizias haver sempre crédito. sem débitos. na vida

Vésperas

1º acto   ao entrar p’la loja baptizada  como chique em meu bairro  ninguém falava de bombas a promocão das cuecas era o tema visceral da situação 2º acto       escolhi o par mais insignificante   estampado a pombas brancas                      sobrevoando céus  sem negrume ou silheta de inquie taç        ão 3ºacto        a  vendedora exibindo o bigode     disse algo sobre                          algodão macio                       mas eu pensava no aço    da morte  a mentira em linha recta                         dos poderosos   4ºacto  o tecido leve parecia...

Lisboa

Todas as      ruas conduzem ao Tejo, conduzem   a nada,   as pedras,  os sonhos,     um eco                     volante. Quem disse: Lisboa, Tejo e T udo ?   Paredes murmuram cada estória do mar,   o horizonte se fecha - o silêncio profano navega o vazio: - gaivotas traçam o grito    no céu, mapa jamais desenhado: - Paleta de humores, dias de sol e chuvas, roteiro d’almas em rasgo de tintas, um diário de uma cidade onde até o ar se torna ilusão cada vez que respira. Quem és Lisboa se não labirintos? Cada presente & passado   onde cada esquina é um lembrete de que, mesmo até ao Tejo, não se chega sem ter olhos bem abertos. Essa, a eterna viagem,  brisas ancestrais por essas ruas levam ao Tejo, as suas veias tecendo o ardil de nós mesmos, vozes na praça, marcas, passos, calçada...

caquistocracia

      Sente-se. Está sentado?                 Você é um idiota.    Repito: você é um idiota.            o peso do N-O-M-E  agudo.                      Sou um idiota ? Nega que o seja?                     I-d-i-o-t-a, fixe bem as letras.       Quanto mais foge, mais a luz mente.       Negar o que o é? Mais erros comete.            Idiota, de pequenos poderes por     encomendas de gaveta        o diário de bordo da nau catrineta        a última edição revista do manual       da caquistocracia, a companheira I deal de  todos os pequenos  I s in-soletrados & sorri-           dentes.  ...

O Robô

1.  hoje c omprei um sonho     de metal frio p ara um         amigo de riso vazio 10.      s e tem desejos não é      o meu tema:   todo mistério guarda     o seu dilema 11.              q ue desvende                    a máquina         a vida escondida               100. a força crua:          o silêncio vivo o seu motor      

A Paragem

         havia um café chamado A Paragem             exactamente atrás de      uma paragem de   autocarro O vapor no vidro marcava o instante um lugar breve Estórias no ar difíceis                   de calar    Através do vidro o mundo  passava Nas mãos   um café arrefecia  lá fora a espera nunca parava  a pausa era o que ali habitava            O cheiro forte da rua nunca parava       uma prisão entre dois cais  uma paragem mais longa que    a vida onde o tempo      não buscava sinais Havia um café escuro vazio  perdido  atrás da paragem esquecido       pelos dias Os homens calados        bebiam rotinas    lá fora o autocarro cuspia ...

entre ruínas

      o casal posa entre ruínas    quietas. o menino distorce              o riso a careta de cal     &o tecto cai sobre     aristóteles que vive ainda     na sarjeta: (ou será outro)      pensa: - a quem      importa o génio  do axioma?      lá fora o mundo é um cão         sem dono aqui importa o fogo inato:    a vida inteira numa risada    feliz o filho &  claro o caos

Amanhã

      o telefone grita ecoa no vazio  o cigarro queima a vida      em mortalhas se   amanhã viesse       algum sentido faria ontem devora o tempo tudo engole           a garrafa vazia ri   sem perguntas  a parede escuta         o silêncio do riso         hoje é ontem   amanhã é nunca o telefone atende o nada:  espera sentado         sem pressa se ontem fosse hoje &o telefone tocasse              amanhã

Teorema

       a cidade cospe naturalmente verdades sujas    em becos    caras sem destinos    o rio do lixo                      escorre    a vida cai sem qualquer aviso       bares onde rostos esquecem espelhos doentes em que o frio   habita a pedra de gelo       o copo da incerteza condição é máscara         mastigada cuspida      apagada o nome o teu nome     matemática pura   uma condição

simplesmente

    se fosse um grande homem   reuniria os sussurros     de quem que não é ouvido plantaria sonhos nos cantos das divisões silenciosas      seria gentil movendo-me    através do tecido dos dias   cada momento um fio   de ouro       na tapeçaria da            humanidade

abastardando

               a morte que não é morte - essa é nova                                      Que caralho é isso?             o vazio que te engole sem prévio aviso  ou talvez só talvez o último                                              e fodido alívio         sem dor? sem lamento?                                 quem escreveu essa treta?       a dor é vida a morte a derradeira aposta?      um sussurro? uma brisa?                     que porra de poesia barata          o cheiro a merda o último ciga...

nunca paguei

            nunca paguei para publicar poemas   escrevo porque o sangue manda não por moedas                                      ou contratos  a palavra pertence às ruas sujas    escrever é vento não ouro cego     publicar é cuspir fogo na noite        para rezar a santos de bolso     quem cobra não sente o peso              o peso real de um poema as línguas colhem vozes   do chão  em luas verdes          o sol voa onde a máquina cala  livre nasce e morre                     o poema

A estrada

  o asfalto rachado cuspia          fumo incandescente        o sol mastigava ossos sem clemência   cada passo um grito  sufocado sem mapa  sem rumo só poeira amarga    a estrada ri    da pequena trilha  a estrada sem líder    não tinha caminho    só o vento morto        a ditar o mote caminhar é dragar     o vazio: morder     a própria língua

fumaças

     verlaine       + rimbaud escreveram  um soneto um. buraco. negro          uma rosácea.   um repolho roxo. uma falácia. uma falésia.             sem         destino.    um beijo louco.  um vómito.     um soco no espelho  um gole amargo     a tinto absinto & sangue     borrado a riso.  foi então que    um disse ao    outro:       não vejo  nada do que há        pra ser visto.       apenas sinto            o canto de       de uma peça    d'arte     esse buraco      um convite      ao riso cru       poema nu papel     queimando    entr...

destempos

    as folhas caem    o tempo esgota      o momento frio    o vento assobia   um rio passado    silêncio            aquecido   a vida flui      em ritmo suave sem pressa de ir       destempos fui       o coração leve      o agora é tudo

Merdariana

mais. do que. isto   o mundo pede leveza.   basta.  de.           merda

tagarelices

Na. penumbra. das. letras. antigas   poe &love craft  conversam em      segredo & sombra.    um brilho.ténue.   páginas.palavras  &fantasmas dançam     falando o medo:   silencioso que     alimenta  o que há  mais de            humano.      "os monstros”, diz poe,       "são espelhos que reflectem os nossos  segredos mais ocultos." &love.     craft assenta em  voz baixa    (com a gravidade  de uma tempestade distante):     "e se a linha ténue se romper?     o que está além da porta nos   lábios do pesadelo?"    entre goles de café amargo         o diálogo flui   como um rio de     absinto em cada história                  a tram...