Os pequeninos
A guerra dos pequeninos
não é travada com espadas,
mas com joelhos dobrados.
Combatem de cabeça baixa,
e chamam virtude
àquilo que nasceu do medo.
“Somos poucos, somos fracos”
- e fazem disso um altar.
A guerra dos pequeninos
é a vitória do ressentimento
vestido a rigor de moral.
mas com joelhos dobrados.
Combatem de cabeça baixa,
e chamam virtude
àquilo que nasceu do medo.
“Somos poucos, somos fracos”
- e fazem disso um altar.
A guerra dos pequeninos
é a vitória do ressentimento
vestido a rigor de moral.
Cada um vigia o outro,
para impedir as alturas.
Quem se levanta
é acusado de soberba,
quem dança é suspeito.
Preferem a igualdade
pois não suportam a diferença,
preferem a força bruta
pois não suportam a justiça,
preferem a morte
pois desaprenderam
o que é amar estar vivo.
Mas atenção que esses
a quem sempre chamaram
pequeninos são também
um campo de batalha.
um campo de batalha.
Dentro de cada pequenino
há uma centelha divina que
ainda não foi domesticada,
um impulso que pergunta
- e se eu fosse algo mais?
Toda guerra termina
quando alguém ousa
perder gosto de vencer.
Quando alguém diz "basta"
a tudo o que mente para
ser o que não é, a ilusão
perdida, de que o mundo
glorifica os ajoelhados.
E que o verdadeiro combate
não é contra os outros, mas
contra a tentação confortável
de se afirmar sempre pequeno.
Só quem atravessa essa guerra
sem pedir desculpas de existir
aprende, enfim, a dançar
sobre o campo de ruínas.