o caderno escuro

Para Nika Turbina



não sou eu, 
   dizes -
quem escreve, 
        como se a mão fosse 
            um rumor do corpo, 
o abismo apressado

não sou eu, 
   dizes -
      quem escuta,
             o ouvido no pulso,
 o verso sem nome
no caderno escuro

não sou eu, 
   dizes -
   quem faz
      tremer os sonhos
onde o chão líquido
                   aprende a cair

 acordas - a noite intacta, 
    pesada,
um animal deitado sobre
   o peito
Gritar? O grito esqueceu-
           se 
  de ti

   dizes - não há palavras 
e logo depois
há - mas quem encontra
  letras num
quarto submerso?   
             e então escreves

esses espelhos que 
   nunca antes 
viste: escreves como quem 
   recolhe 
   estilhaços, 
             escreves o que arde 
   e alivia
                   escreves-te

como se fosses outro, 
   ou muitos, 
              ou ninguém
         num gesto quieto, absurdo

clandestino: algo que atravessa 
   a tua mão 
     sem pedir licença

   por isso dizes, com
   estranha certeza: - não fui eu

   e acredito
   porque há versos
            que não nascem -
atravessam.

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